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Circuito W de Torres del Paine

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10 dias de férias assim meio de repente, passagens em promoção, alguns dias para decidir para onde ir, e pronto: malas prontas para a próxima aventura. Assim, eu, Mônica Wright encarei chuva, ventos, neve, perrengues e muita aventuras. Essa foi a expedição de 76km do Circuito W. Um dos lugares mais espetaculares do mundo: Torres del Paine, na selvagem Patagônia.

Chegar ao nosso destino não é tarefa simples e muito menos barata. Saímos do Rio de Janeiro, com destino para Santiago, depois pegamos outro voo para Punta Arenas, e depois subimos num ônibus com destino a Puerto Natales de onde pegaríamos outro para Torres del Paine.

A charmosinha Puerto Natales é considerada a base para quem vai a Torres Del Paine. Ela está super bem preparada para ajudar os aventureiros a se equiparem caso ainda não estejam com tudo pronto para viagem. A cidade está cheia de hostels, para todos os gostos e bolsos. Mas recebemos uma super indicação e acabamos ficando hospedados no Hostel Yanganhouse. Muito bom aliás.

Vale conferir o post anterior sobre como gastar pouco nessas viagens.

Já tínhamos levado quase tudo que precisávamos daqui do Brasil. Então nos preparamos para ficar um dia a mais por lá para terminar de nos organizar e comprar (ou alugar) o que faltava: alguns equipamentos para acampar, barraca e comida

Além de reservar os lugares para dormir no meio do Circuito W, cada local é administrado por uma empresa: a Fantastico Sur e a Vertice. As opções são acampar (a mais barata) ou dormir nos abrigos/refúgios (mais cara). Os refúgios são casas confortáveis, com calefação e refeições que pode ser compradas em separado, na maioria deles.

Tudo pronto? Então vem comigo que vou contar como foi a expedição Circuito W, em Torres del Paine, na Patagônia Chilena!

Torres Del Paine Circuito W

Na rodoviária de Puerto Natales é possível encontrar várias empresas que oferecem ida e volta para Torres Del Paine, com saídas diárias à valores de 15.000 pesos. Compramos nossas passagens por ali mesmo, mas em alta temporada é melhor garantir antecipadamente comprando online pela Bus-Sur.

A viagem até o parque é longa, mas o trajeto é lindíssimo, e dá para tirar uma boa soneca nas 2 horas até Laguna Amarga, onde fica a entrada do Parque Nacional de Torres del Paine. Ali é preciso comprar o ingresso do parque ($21.000 pesos ou $11.000 na baixa temporada), e seguir sua escolha: é possível começar o Circuito W pelo lado das Torres ou seguir para as próximas paradas – Pudeto e Administración – e seguir viagem destes pontos. No mapa abaixo, está destacado de vermelho o Circuito W.

Circuito W

Base das Torres del Paine – dia #1

Decidimos começar pelo acampamento Las Torres e de cara já encarar os 19 km montanha acima, rumo a Base das Torres, parte mais alta e mais difícil do Circuito W. Montamos nossa barraca, esvaziamos a mochila e seguimos

Circuito W

apenas com comida e água para esse primeiro dia de caminhada. De cara, pagamos o preço de nossa “leveza”: deixamos os bastões de caminhada para trás o que fez nossa subida ser muito mais difícil.

Como se já não bastasse, na nossa parada para o almoço tivemos uma surpresa: não pudemos cozinhar, pois não é permitido acender fogo (mesmo que de fogareiro) em qualquer lugar do parque, nem no acampamento Chilenos. Eles também são os únicos que não vendem as refeições separadas. Resultado: ficamos sem almoçar direito, mas como tínhamos levado bolachas, umas carnes secas (irgh!), umas frutas e nos viramos com isso mas pagamos o preço algumas horas depois… faltou gás na subida!

Deixamos nossa mochila num canto lá no Chilenos mesmo e partimos rumo ao ponto mais aguardado do Circuito W. O percurso até o topo durou mais 3 horas e foi muito difícil. Reclamei, xinguei, chorei e

Torres del Paine

quase desisti, mas chegar lá em cima e ver as Torres del Paine de pertinho, mesmo com o dia nublado, compensou qualquer esforço.

Apesar do frio latejante – eu não conseguia nem sorrir para a foto – foi incrível.

A descida foi mais rápida (pra baixo todo santo ajuda né? Rs) e conseguimos chegar de volta ao acampamento Las Torres às 20 horas. Tomamos banho e conseguimos jantar  ainda com o dia claro (escurecia todo dia por volta de 21h) e quando escureceu, fomos presenteados com uma lua cheia maravilhosa. ‘Bons presságios’, pensei antes de dormir, feliz com nosso primeiro dia de Circuito.

√ 19 km com sucesso

El Francés – dia #2

Continuando no Circuito W, partimos rumo Camping El Francés por volta das 11h, já tendo tomado nosso café-almoço (arroz com lentilha logo cedo). O caminho é maravilhoso, um dos mais bonitos por onde passamos com um lago de azul incrível e uma praia de pedra. Foram mais de 8 horas caminhando, pausas para lanches, fazendo amigos pelo caminho e tirando fotos das paisagens lindas por onde passamos.

Circuito W

Circuito W

Circuito W

Circuito W

Chegamos no acampamento muito cansados e sentindo bastante o peso dos mochilões nas costas! O acampamento é super arrumadinho e surpresa: o camping é suspenso! Cada um tem sua plataforma para armar sua barraca. Não tem cozinha, nem mesa e cozinhamos na parte de fora da barraca mesmo.

Novamente, conseguimos tomar nosso banho quentinho e comer nossa comidinha, antes de nos entregarmos, exaustos, ao sono pesado, mesmo com o intenso vento que fez a noite toda.

Nesta rota, dá também para ficar no acampamento Los Cuernos. Esse é o local certo se você quer um pouco de diversão. Enquanto no Francés não há um espaço coletivo para ter contato com os outros andarilhos, no Los Cuernos, o negócio é animado, já que tem Refúgio e Camping juntos. Assim como nos outros acampamentos com refugio, todos vão chegando, as pessoas se juntam nas mesas para trocar experiências, comer e curtir um pouco a noite, normalmente perto da lareira e com um copo de vinho na mão!

 √ 15km com sucesso

Paine Grande – dia #3

Começamos nossa caminhada rumo ao acampamento Italiano do Circuito W e seguimos encantados com as cachoeiras e pontes ao longo do nosso percurso. Bem bem lindo.

Chegamos depois de umas horinhas no acampamento Italianos. Deixamos as mochilas e começamos a subir para os Miradores Francés e Britânico. Porém ele estava fechado em razão da neve (ainda!!!) e só conseguimos chegar no Francés.

Circuito W

O caminho inteiro é lindo, mas com muitas pedras e subidas. Demoramos umas 2hrs para subir mais ou menos e chegando lá demos de cara com outro glaciar e um lago bem bacana. O dia estava meio chuvoso, com um vento gelado cortante então tiramos nossas fotos e já começamos a descer de volta. Aproveitamos a estrutura do acampamento para fazer nosso almoço e continuar nosso trajeto rumo ao Refúgio Paine Grande.

Continuamos a caminhar beirando o lago o tempo todo e quase no fim do percurso a vegetação muda completamente. Parecia que estávamos adentrando numa zona morta e esquecida no tempo. Depois ficamos sabendo que essa parte da floresta foi queimada do incêndio que aconteceu no parque em 2011 e devastou quase todo o Circuito W.

O lago do nosso lado esquerdo acontecia um fenômeno interessante onde os ventos sopram carregando a água do lago para terra. Isso faz um efeito sensacional, além do banho surpresa que vem de brinde… kkkk.

 

Circuito W

Avistar o refúgio, depois desse longo dia de caminhada (foram quase mais 5 horas caminhando) é quase como avistar o paraíso: o lugar é lindo (meu preferido) e mesmo estando no camping, é super aconchegante. A área do camping é completamente aberta e posicionando direitinho a barraca, ficamos exatamente de frente para as montanhas cheias de neve ainda nos seus cumes. A noite com a lua sobre nossas cabeças, parecia que estávamos num cenário de um filme. Aproveitamos para tirar várias fotos e nos preparar para comer na grande cozinha do Camping.

 

Bem alimentados e relaxados (até um vinhozinho rolou hoje!) fomos dormir ansiosos. Nosso grande dia estava chegando!

√ 11 km com sucesso

Paine Grande – Refúgio Grey – dia #4

Circuito W

Acordamos cedo, tomamos nosso café da manhã olhando as montanhas no nosso cenário cinematográfico e levantamos acampamento. Tínhamos um glaciar para ver hoje!!! O dia estava bem bom, e em pouco tempo, chegamos à Laguna los Patos. Sentimos na pele o poder do vento que quase me derrubou por algumas vezes. Como as mochilas estavam com as capas de chuva, elas funcionavam como um verdadeiro paraquedas nos puxando ao chão. Tive que ficar parada várias vezes esperando o vento melhorar para poder continuar andando.

Seguindo a caminhada, algumas horas e muito frio depois, chegamos ao Mirador Grey. O lugar é espetacular e tem uma vista incrível! Um pouco depois, chegamos no Refugio Grey! Aeeee! UM FRIO de doer os ossos acompanhado de uma garoa e muito vento! ‘A noite promete’ pensei enquanto tentávamos montar a barraca.

Chegamos por volta das 16 horas e tivemos que almoçar voando, pois nosso primeiro passeio para o glaciar era as 17 horas: andar de Kaiak no Lago Grey e ir até bem pertinho do glaciar remando! O passeio não é barato ($66.000, mais ou menos 340 reais), demora 3 horas e é molhado, mesmo com roupas especiais. Paramos numa ilha em frente para fazer uma caminhada, nos esquentar com um delicioso chá de gengibre e tirar um monte de fotos do glaciar antes de cair na água novamente para voltar remando.

Circuito W

Obrigado a Big Foot pelo Passeio!

√ Aventura inesquecível checked

√ 12 km com sucesso

Refúgio Grey. Dia #5

No dia anterior tínhamos agendado uma trilha no Glaciar antes de ir embora. Então acordamos cedinho e como já não tínhamos mais tanta comida, comemos o que sobrou. Pegamos o barco que nos deixou bem próximo do Glaciar, nos equipamos e partimos para a segunda aventura inesquecível da vida: a trilha no Glaciar.

Circuito W

Circuito W

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A trilha dura cerca de 5 horas e custa $105.000 pesos. A trilha é impressionante. Andar sobre o glaciar é uma experiência única. Usamos crampons, cadeirinha de escalada e piquet (machado de gelo). Caminhamos sobre o gelo e pulamos as profundas gretas. No meio do passeio paramos embaixo de uma caverna de gelo que mais parecia o cenário da Era do Gelo! Demais! Depois de muitas fotos e mais alguns km de caminhada no gelo, voltamos ao acampamento.

Dica: se fechar os dois passeios com a Big Foot tem desconto.

CONGELOU, E AGORA?

Após nossa trilha no Glaciar Grey, decidimos fazer uma parte do Circuito O e passar pelas suas duas famosas pontes. E lá partimos para o maior perrengue da viagem! Antes, fizemos uma pausa e fomos até o Mirador ver os blocos de gelo gigantes que se desprendem do glaciar. Parada obrigatória para quem está neste acampamento.

Dali pegamos a trilha do “O” e depois de 1 hora, chegamos à primeira ponte. Mesmo com uma chuvinha bem chata, aquela sensação de “ainda bem que a gente veio” encheu nossos olhos: o visual deste lugar é incrível! Uma ponte de cabos de aço com o chão de madeira se estendendo por um precipício de 30 m e ao fundo a geleira. Lindo demais!

Circuito O

Seguindo nosso caminho rumo à segunda ponte, a chuva apertou e não deu trégua.  Ficamos encharcados. Mesmo estando preparados, com roupas e sapatos impermeáveis, acabamos nos molhando. Sentindo tanto frio a ponto de pensarmos em desistir da segunda ponte.

A chuva na ponte dos 60 m virou neve, que virou gelo e quase estraga nosso passeio. Não consegui atravessar a ponte porque fiquei com medo de escorregar. E claro, com a chuva as fotos ficaram todas com respingo e não sobrou nenhuma para contar história.  Na volta, não sentia mais meus pés e ainda tínhamos 2 horas de trilha. Tivemos que parar, torcer as roupas e tirar o excesso de água. Depois acelerar o passo para esquentar um pouco e chegar logo ao Refúgio. Que perrengue!

Depois de tanto frio e tanta chuva, nos demos de presente uma noite bem dormida e aquecida no refúgio. Uma taça de vinho para brindar nossa viagem e acompanhar nosso último jantar com as sobras dos nossos mantimentos.

Depois de uma boa noite bem dormida, acordamos cedo no dia seguinte e voltamos à Paine Grande. Com as mochilas já leves sem as comidas, caminhamos tranquilos de volta. Em silêncio, agradecemos com a sensação de missão cumprida. Chegando no refúgio, ficamos descansando e comendo Nutella enquanto esperávamos o catamarã que nos levaria de volta a civilização. Felizes e com aquele sentimento gostoso de fim de viagem, com uma só palavra na cabeça: conseguimos!

√ Circuito W: 76km completados com sucesso

A viagem de catamarã nos presenteia com uma vista mágica do parque. Desembarcamos na portaria de Laguna Amarga, pegamos o ônibus de volta para Puerto Natales onde ficamos por mais uma noite. Dali partimos para El Calafate, já que tínhamos ainda mais 4 dias de viagem. Mas essa viagem fica para o próximo post da Patagônia. Não saiam daí Woopies!!!

 

 

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